Quatro mulheres que estão quebrando barreiras no mercado brasileiro

 

Fomos buscar em mulheres que quebram barreiras diariamente inspiração neste Dia da Mulher. Já imaginou largar seu emprego em uma multinacional para tocar um projeto próprio que pensa conteúdo de maneira especial e humana para mulheres? Ou se tornar expoente da inclusão social em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo? E ser uma das atrizes mais talentosas da cena dos musicais com apenas 25 anos? lsso sem contar quem deixou a indústria da moda para se aventurar como empreendedora e hoje é dona de um sex shop de luxo... Convidamos quatro mulheres com histórias incríveis e profissões que saem do mainstream para lembrar que não há limites para uma mulher cheia de determinação:

 

 

Foi da própria família que Lisiane Lemos tirou inspiração para se tornar a mulher que é hoje. Com apenas 28 anos, trabalha em um cargo de vendas na Microsoft e viaja o Brasil espalhando a mensagem de que as empresas precisam, sim, ter mais negros em seus quadros de funcionários. “Minha vó era líder comunitária na periferia, minha mãe é professora e ambas sempre acreditaram na transformação da sociedade através da educação”, explica. Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, ela se formou em Direito e se especializou em Educação em Direitos Humanos antes de passar uma temporada em Moçambique. De volta do intercâmbio, foi contratada pela Microsoft e acompanhou de perto a chegada do grupo Blacks at Microsoft no Brasil. “Uso meu cargo em uma empresa tão expressiva para abrir portas para pessoas como eu e também falar com outras instituições. Meu turning point foi me juntar ao Mulheres do Brasil, grupo fundado pela Luiza Trajano com mulheres de muitos segmentos para discussão de ações relevantes para nós.” O recorte racial é um dos destaques do discurso de Lisiane: 57% das mulheres que sofrem violência no Brasil e apenas 0.4% das mulheres em cargos de liderança no país são negras. “Quero sempre exercitar o olhar do diálogo e despertar uma reflexão. Precisamos derrubar essa máxima de que não existem profissionais negros qualificados no mercado”, completa.

Uma mulher inspiradora: impossível listar uma só! Gostaria de ter o senso de empreendedorismo da Luiza Trajano e o equilíbrio da Rachel Maia. Também queria citar dois homens importantes, que reforçam o que eu acredito: o Rodney Williams, que me contratou na Microsoft e sempre teve um olhar muito voltado para a liderança feminina e a questão racial, e o Theo van der Loo, presidente da Bayer, que instaurou iniciativas como cota para negros em programas de estágio.

 

 

Se você assistiu a alguma das versões brasileiras de musicais blockbusters como Mamma Mia, Fame, Shrek, Nine, Rent ou Wicked, com certeza já cruzou com Myra Ruiz. Ela começou cedo a misturar o gosto por atuação e canto e chegou a estudar em uma das escolas mais prestigiadas de Nova York antes de se tornar a protagonista da história das bruxas de Oz. “É engraçado lembrar que no começo eu matava as aulas de canto, pois tinha pânico de cantar na frente dos meus colegas de sala”, relembra. “A Elphaba [bruxa verde de Wicked] é um dos maiores papéis que uma mulher pode ter em um musical, foi com certeza minha oportunidade mais incrível até agora.” Quem viu Myra no palco (com apenas 23 anos, diga-se de passagem), no entanto, muitas vezes não imagina a preparação intensa para o papel. “Fiquei um ano em cartaz com o Wicked e nos apresentávamos uma vez na quarta, na quinta e na sexta e duas vezes no sábado e no domingo”, recorda. “Era muito puxado. Às segundas e terças eu só descansava e mal conseguia ir ao cinema, por exemplo, por medo do ar condicionado do shopping prejudicar minha voz. Acabei engordando quatro quilos de nervoso nesse processo.” Em um meio tão competitivo, Myra fez amizades duradouras - Fabi Bang, com quem contracenava na peça, é uma de suas melhores amigas. “No mundo do entretenimento existe muito a mania de colocarem uma mulher contra a outra, o que é uma grande besteira. Hoje, já não deixo isso me afetar mais. Precisamos nos apoiar sempre e torcer umas pelas outras.”

Uma mulher inspiradora: Renata Alvim, gerente-geral da T4F (empresa que produz os principais musicais aqui no Brasil). Ela é uma mulher forte e firme, mas ao tempo super divertida. Consegue com maestria ser ao mesmo tempo adorada e respeitada.

 
 

Formada em marketing e publicidade pela ESPM, Laura Magri trabalhou como consultora de imagem, foi do marketing de uma grande estilista brasileira e sócia de uma agência de comunicação antes de se aventurar pelo mundo erótico. “A ideia de abrir um sex shop de luxo veio do nada e aproveitei uma série de viagens ao exterior para pesquisar sobre o mercado”, conta.O resultado se chama Nuasis e conta com lingeries, itens de couro, velas, óleos para massagem, chicotes e dildos nada convencionais, feitos de pedras como quartzo e mármore. “Nunca quis competir com os gigantes do mercado e logo cedo percebi que existia esse gap do luxo no mercado de artigos eróticos.” E como é ser uma mulher dona de um negócio em um meio cheio de tabus? “Primeiro eu tinha vergonha de contar, mas depois me apropriei da ideia e hoje acho engraçado a reação das pessoas. Elas acham mais curioso do que constrangedor atualmente.” Em breve, ela expande sua gama de produtos e investe em novos itens. “Queremos que o universo erótico faça parte do estilo de vida das pessoas e que elas não sintam necessidade de esconder seus produtos dentro de uma gaveta no quarto.”

Uma mulher inspiradora: Betony Vernon, antropóloga sexual e espécie de entidade no neste universo. Revendo algumas de suas peças aqui no Nuasis e a conheci em Paris, ela faz um trabalho incrível com bijouxs de duplo uso e outros itens como lingeries e algemas. Uma verdadeira vanguardista! Sou fã.

 

A experiência em empresas de grande porte em segmentos como alimentação, telecomunicações e saúde fez Viviane Duarte perceber que a publicidade não sabia conversar com as mulheres. “Via aquelas campanhas enormes e percebia que as clientes reais não estavam retratadas em nenhum daqueles anúncios”, relembra. “Percebi nessa falta de representatividade um modelo de negócios e sai para abrir minha própria empresa, especializada em consumo para mulher.” Assim nasceu o Plano Feminino, em 2010, que além de ser uma consultoria hoje também é um portal de conteúdo. “Minha missão é cutucar a publicidade e mostrar que não existe licença poética para o machismo.” Os projetos dialogam diretamente com a história da Vivi: nascida na Freguesia do Ó, em São Paulo, teve mãe e avó ‘empreendedoras da quebrada’. “Sou da periferia e nunca via as mulheres da minha família retratadas em campanhas. Quero mostrar para outras meninas que é possível ocupar espaço e realizar seus sonhos.” Além do Plano Feminino, atualmente Vivi também se dedica ao Plano de Menina, curso de oito meses voltado para garotas de 12 a 18 anos focado em tópicos como educação financeira, carreira e mídias digitais.

Uma mulher inspiradora: admiro muito a Eliane Dias, empresária do Racionais e mulher do Mano Brown. Ela lutou muito contra o machismo dentro de casa e não abaixou a cabeça para atuar nas transformações que julga importantes.

 

Conhece a história de alguma mulher incrível? Divida com a gente nos comentários abaixo!