Camila Fremder em casa | Um papo sobre moda, nóias, maternidade e decoração

 

Com cinco livros autorais publicados - e vários outros como ghost writer - a escritora e roteirista, Camila Fremder, é daquelas pessoas que você mal conhece e já quer passar horas conversando. De riso fácil e humor natural, quem vê o jeito brincalhão da criadora do podcast “É nóia minha?” nem imagina a dona de casa e mãe certinha e responsável que existe por trás. Ela mesmo se define como uma pessoa “curiosa, interessada em fazer diferente, multitasker, organizada, focada, careta, certinha e nerd - apesar das pessoas não me enxergarem assim pelas redes sociais.”

Formada em propaganda e marketing, Camila sempre gostou de escrever, mas foi durante as sessões de terapia que começou a considerar uma carreira na área. “Eu tinha muita dificuldade de falar as coisas que estavam acontecendo e que eu precisava tratar, então meu analista da época sugeriu que eu escrevesse, ao invés de contar.” E foi assim, escrevendo sobre os seus próprios casos e dramas da vida, que ela descobriu um talento nato para entreter as pessoas com seus textos fluidos e super divertidos - até contando tragédias.

O blog de crônicas “Parece filme, mas é vida mesmo” que surgiu como resultado das análises, foi a porta de entrada da Camila para o mundo do conteúdo. “Em 2010, uma editora independente descobriu o blog e pediu para incluir minhas crônicas em uma coletânea com textos de outros sete novos autores de internet. Depois o próprio blog se transformou em livro e foi aí que começaram a surgir mais trabalhos de conteúdo.” Ainda através da página de crônicas, um diretor de cinema descobriu os diálogos super divertidos da então blogueira, trazendo ela para o mundo dos roteiros.

 

 
Se fosse para escolher, eu viveria só de livro, que é o que eu mais amo fazer

Quando o assunto é a paixão pelos livros, Camila admite que se pudesse, viveria só disso. “Sempre gostei de ler. Eu e minha mãe tínhamos o hábito de deitar na cama dela, cada uma com seu livro, enquanto esperávamos meu pai chegar do trabalho. Desde então, eu leio todos os dias e escrevo todos os dias também.” Entre os gêneros favoritos, estão as crônicas e suspenses. “Amo a Tati Bernardes, Antonio Prata, Mario Prata e tudo que tiver um serial killer envolvido. Já li todos os livros da Agatha Christie e, mais recentemente, amei ‘Deixada para Trás’ e ‘A Garota no Trem’.”

As pessoas têm que ter orgulho de mostrar a vida delas, não importa como seja. Por que eu esconderia que lavo roupa, arrumo a casa e limpo o xixi que o cachorro fez no lugar errado?

Quem segue a @cafremder nas redes sociais sabe que, com ela, sinceridade é a regra. Em um mundo feito de eventos, looks e viagens cheios de glamour, a escritora se destaca por seu approach super vida real. “Eu cansei do que via nas redes sociais, não tenho uma vida nem de longe parecida com a dessas pessoas - apesar de ser super privilegiada - e me preocupo com quem consome esse tipo de conteúdo achando que essa é a vida normal. Então procuro mostrar não só o dia que a AMARO tá aqui em casa e eu to maquiada fazendo foto, mas também o dia seguinte, quando to lavando roupa e me virando com o Arthur. Gosto de mostrar esse lado real, acho que as pessoas se identificam mais.”

 

 
Cada vez mais as pessoas estão se interessando por podcasts, acho que vai ser um movimento bem parecido com o YouTube- vai durar quem tem tempo para investir e está realmente a fim.

Entre posts no Instagram, livros, textos, faxinas e cuidados com o filho Arthur, Camila ainda encontrou tempo para encaixar um podcast semanal na rotina agitada. “Eu comecei a perceber que estava gostando mais de fazer conteúdo para mim do que para os outros. Assim como os livros, o podcast me realiza muito porque é um conteúdo que posso criar só para mim.” Em “É nóia minha?” a escritora reúne convidados para discutir comportamento e relacionamentos de forma super descontraída e relevante. “Eu fico pensando nas pessoas que conheço ou gostaria de conhecer e nas nóias que elas me despertam, e é assim que escolho os temas e convidados. Depois monto um texto de introdução para me guiar, algumas perguntas e deixo o papo fluir.”

Sobre a maternidade, Camila não mente: “Minha vida mudou completamente. Eu ainda trabalho com a mesma coisa, mas percebi que não tenho mais controle sobre nada. Quando a gente é mais nova a gente acha que dá pra planejar tudo, sabe? Com criança não dá pra planejar, os imprevistos virão.” Para as futuras mães, a dica da Ca é não se cobrar tanto. “Você nem sempre vai conseguir ser a mãe do check list - aquela que só dá orgânicos e coloca rotina. Vai ter dias que você vai dar papinha pronta e ele vai dormir as duas da manhã, e tudo bem. O importante é fazer tudo com amor. Afinal, a gente tá aqui pra isso.”

Com a maternidade, veio também a mudança de estilo na vida da escritora, que se declara fã de moda e super consumidora de conteúdos sobre o assunto. “Antes de ser mãe, eu usava mais salto e roupas justas, hoje em dia estou mais para aquela mulher meio galerista que prefere peças mais confortáveis, mas ainda quer estar bonita, sabe?” No armário do dia a dia não podem faltar calças jeans e camisetas básicas. Já na hora da montação, a aposta é nas minissaias, que acabaram ficando em segundo plano durante a gravidez.

O que meu estilo e minha casa têm em comum? Mudam constantemente. Um dia eu tô de tênis colorido e no outro toda vestida em tons neutros.

Caseira declarada, Camila não nega que adora passar o tempo livre arrumando, limpando e curtindo sua casa. “Minha casa é meu reino e sou a princesa do meu próprio castelo. Quer vir aqui? Sou Rapunzel - te jogo minha trança, mas vou te mandar embora assim que cansar.” Entre estantes de livros organizados por cor, uma rede no meio da sala e até um globo de ponta cabeça pendurado no teto, a escritora admite que seu canto favorito é mesmo a poltrona, onde ela reserva um tempo para a leitura todas as noites.