Iza fala sobre moda, música e empoderamento feminino

 

Foto Lu Prezia

Com apenas 26 anos e prestes a lançar seu primeiro CD, a carioca Iza tem motivos de sobra para comemorar, já que vem movimentando a indústria pop nacional com músicas dançantes que falam sobre empoderamento feminino. Fashionista de carteirinha, ela aposta em figurinos impactantes e produções que misturam referências ao mesmo tempo sexy e divertidas para conquistar quem também é fã de moda.

Não é à toa que a cantora foi a escolha certa para um show exclusivo na abertura de nosso novo Guide Shop, localizado na Rua Oscar Freire, em São Paulo. A festança aconteceu na última quarta-feira, dia 07, com direito a presença de celebs e instalações do artista Kleber Matheus. Aproveitamos para bater um papo com a cantora sobre carreira e look do dia, olha só:

Sua carreira decolou faz cerca de um ano e você já está arrasando! Como foi esse começo?

Eu já cantava na igreja desde os 14 anos, mas acho que as pessoas só começaram a ouvir a minha voz com 18. Eu sempre fui muito insegura, cantava para dentro, sabe? Tinha vergonha mesmo.

Mas essa questão de cantar e performar sempre esteve comigo, apesar de eu achar que nunca trabalharia no ramo. Minha família é muito musical – minha mãe é professora de artes e de música, minhas tias são formadas em música, minha outra tia é musicoterapeuta, meu pai é percussionista... Você viu que eu não tinha como escapar!

No entanto, achava um meio punk, meio difícil de entrar. Por isso, com 18 anos, resolvi fazer publicidade e propaganda na PUC, no Rio de Janeiro, já que gostava de trabalhar com criação. Passei por agência, editei vídeos para gravadoras, trabalhei com marketing, fui gestora de mídias sociais e passei até por RH! Ficava seis meses em um lugar e saia assim que percebia que não era mais aquilo que me animava. O bom é que minha mãe comprava muito meu barulho e me apoiava, na esperança de que eu decidisse logo cantar!

Meu último trabalho foi em um coworking, faz uns dois anos. Toda quinta-feira tinha um happy hour por lá e o pessoal pegava os instrumentos pendurados na parede para tocar. Quando eu comecei a cantar, eles enlouqueceram! Foi quando decidi largar tudo e ter meu próprio canal no Youtube. Queria usá-lo como plataforma para me comunicar e me firmar como profissional, porque muita gente nem sabia que eu cantava. E a resposta foi muito legal. E é tudo bem recente mesmo, costumo dizer que minha carreira começou faz mesmo um aninho.

Você está prestes a lançar seu primeiro CD. O que podemos esperar?

O álbum chega no segundo semestre, antes do Rock in Rio. Ainda não posso falar muito, mas já adianto que serão praticamente todas as músicas inéditas e muitas parcerias legais!

Se abrirmos seu Spotify agora, quais são os últimos cinco álbuns que você ouviu?

Dangerous Woman, da Ariana Grande, Mulher, da As Bahias e a Cozinha Mineira, 4, da Beyoncé, In My Mind, do BJ The Chicago Kids, e Settle, do Disclosure.

 
 

Foto Lu Prezia

Você passou por um makeover de estilo. Como foi essa transição?

No começo da minha carreira eu contei com dois stylists para dar esse up e hoje estou apenas com a Bianca Jahara. Foram eles que me modernizaram, mas foi uma decisão muito em conjunto.

O que mais mudou?

A minha atitude! A roupa conversa e canta junto comigo. Por isso, quando estamos com o look certo, na hora certa, tudo funciona. Minha atitude mudou muito por causa dessa transformação e hoje posso dizer que me sinto muito mais confiante. Tem que ser artista para entender o que outra pessoa quer e traduzir isso para as roupas.

Como vocês pensam o figurino de um show? O que ele precisa ter?

A primeira coisa é funcionalidade. Eu gosto de roupas sem manga, uso itens mais curtos quando eles são de gola alta, abuso de tecidos leves quando a produção é muito coberta... Não dá para ficar passando calor! Eu gosto muito de correr e abaixar durante uma performance, por isso preciso me sentir livre.

Estou sempre analisando evento a evento. Na Virada Cultural em São Paulo, por exemplo, usei um body rosa meio heroína louca que cabia naquele momento. Acho que o importante é passar sempre a mesma mensagem. E todos os meus figurinos dizem que eu sou poderosa e sei o que estou fazendo! 

Se você pudesse viver com um guarda-roupa de apenas cinco peças, quais seriam elas?

Sou louca por botas, tanto as ankle boots como as over the knee. Tenho várias! Também uso bodies, adoro trench-coats e coletes e sou viciada em gargantilhas & chokers.

Seu nome está muito ligado ao empoderamento feminino e negro. Na sua opinião, como seu estilo pode inspirar e dar força para outras mulheres?

Tenho que aproveitar a visibilidade que tenho e o lugar onde estou. Não adianta ter um microfone e não falar sobre o que precisa ser falado. As meninas precisam dessa representatividade! Sei o quão importante é ter alguém negra como eu na TV, falando que meu nariz é lindo, que minha boca é linda e que meu cabelo é lindo. Eu tive várias questões na minha adolescência pois sempre fui a única negra da escola – estudava em escola particular, já que minha mãe era professora e eu tinha bolsa. E não era lá que tinham muitos negros.

Vocês lembram da Aisha Jambo, que fazia a Naomi em Malhação, nos anos 2000? Quantas vezes você viu um cabelo daquele em novelas naquela época? Nenhuma, era só o ela. E ela era maravilhosa! Eu lembro que quando ela apareceu aquilo me causou um estranhamento. Pensava:  'ué como assim? Alisei meu cabelo a vida inteira, como ela gosta do cabelo dela?'. Hoje percebo que se tivessem mais meninas como nós, aquilo seria muito mais comum.

Quem são suas principais referências na moda e na música?

Na moda eu amo Naomi Campbell, Iman e Rihanna – ô mulher abusada! Adoro o fato dela usar várias coisas esquisitas, que as pessoas muitas vezes não entendem, e ela não estar nem aí.

Musicalmente eu gosto da Beyoncé, da Rihanna e da Diana Ross. E daqui a pouco vou tirar minhas tranças e deixar meu cabelo igual ao da Diana!