Empoderamento através da moda e beleza natural: um papo com Juliana Luna

 

Você conhece a carioca Juliana Luna? Além de ter um Instagram que a gente ama, a ativista é editora do beleza pura, uma das seções da revista Azmina,
principal publicação online de jornalismo feminista independente. Com um background pra lá de multicultural - ela já rodou a América do Sul antes de morar em Nova York, Roma e Joanesburgo - ela compartilha com a gente, em um texto autoral, suas visões sobre moda, o que a influenciou na descoberta de seu estilo e como ela exalta,
todos os dias, sua poderosa beleza natural. Confira:

 

 
 

 
 

"Minha relação com a moda começou na adolescência. Eu sempre me expressei de uma forma muito única, já que morei em diversos países da América Latina e tive influências culturais variadas. Quando completei 17 anos minha auto-estima estava super baixa - passei muito tempo alisando meu cabelo e decidi raspar a cabeça. Não aguentava mais ficar horas no salão de beleza, passando químicas fortíssimas nos meus fios. Estava cansada de usar um estilo de cabelo que não me fortalecia por dentro. Era tudo uma grande busca por aceitação nos meus círculos sociais. Mas, no fundo, eu sabia que algo estava faltando na forma como eu me expressava.

 
 

 
 

Deixei meu cabelo natural crescer, mesmo sendo umas das únicas naquela época a assumir minhas raízes crespas. Fui muito desencorajada por parte das pessoas. Ouvia muito preconceito na rua. Não conseguia emprego nas lojas da moda na época. Ou seja, foi barra! Mas, isso me fortaleceu de forma muito genuína. Tive que ser forte e peitar quem quisesse me chatear! Tive que arranjar alternativas pra ganhar dinheiro que não fossem em lojas preconceituosas. Trabalhei sempre de forma independente. Como falo quatro idiomas desde muito nova, fazia traduções, escrevia e revisava textos, fazia trabalhos freelancers em eventos e assim fui ganhando meu sustento. 

Me assumir como indivíduo na sociedade me fez muito forte porque eu me destacava da multidão. E quem se destaca acaba descobrindo o poder que isso tem! Me conectei mais comigo e com minha história e isso me
deu poder pra ousar e criar o meu estilo.

 
 

 
 

 
 

 
 

Desde então, tenho me fortalecido e usado a moda como uma ferramenta de expressão de quem eu sou. Uma forma de colocar minha narrativa em imagens, texturas, cores e formas. Através de conexão com minha identidade, ganhei consciência de como usar a moda a meu favor e não contra mim.

Aos 23 anos, morando em Nova York, descobri um outro universo. Tinha que me virar com pouco dinheiro e recorrer a brechós, o que foi maravilhoso pra mim. Ali pude de fato expressar minha criatividade sem medo!

Antes de ter uma forte relação com minha identidade, eu sofria uma certa ansiedade por viver mergulhada no mundo da moda. Ela acaba me consumindo de uma forma que não era saudável. Eu tinha expectativas de
ser uma pessoa “normal” e meu estilo refletia esse conflito.

Algo libertador que descobri através da minha busca é que a moda é uma ferramenta que me permite contar minha história. Ela é um expressão de quem eu sou e das minhas experiências vividas em forma visual. 

 
 
Me assumir como indivíduo na sociedade me fez muito forte porque eu me destacava da multidão.
E quem se destaca acaba descobrindo o poder que isso tem!
 
 

 
 

Amo misturar referências e só uso o que gosto. Acabo me inspirando nas viagens que faço pelo mundo
para montar minhas produções. Também procuro consumir de marcas nas quais mulheres tenham espaço
pra trabalhar em todos os segmentos. Fazer escolhas conscientes para que meu dinheiro circule e
empodere mulheres.

Meu estilo é uma grande mistura de referências culturais globais. Tenho vestidos tradicionais guatemaltecos, tecidos pintados à mão da Nigéria, joias feitas com pedras brutas de Bali, além de peças de brechó que misturo com marcas nacionais. Tenho histórias pra contar de cada uma das peças que uso pra compor meus looks.

Minha beleza também é única. Quando aceitei isso, a moda e eu viramos grandes amigas!"