Ana Strumpf e Verena Smit

 

Já estamos entrando em clima de inverno por aqui! Em nosso novo lançamento, batizado de Check-In, chamamos uma dupla de peso para clicar & ilustrar nossas
novidades (aliás, já conferiu tudo?): Verena Smit e Ana Strumpf. Ambas já eram de casa - Verena fez intervenções artísticas lindas em nossa última campanha de
Dia dos Namorados e Ana Strumpf colocou suas ilustrações sempre geométricas e divertidas em algumas imagens da coleção Concrete Dream.

A novidade é que agora elas trabalham juntas e, desta vez, Verena passa para trás das câmeras e mostra também seu talento como fotógrafa. Aproveitamos a presença desse duo de peso para bater um papo com elas e conhecer melhor a trajetória de duas mulheres tão talentosas! Confira:

 

 
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ANA STRUMPF

1. Como surgiu a ideia de unir sua paixão pela moda e o talento para o desenho?

Houve uma época em que meus pais tinham uma loja de tecido para decoração e, como a minha mãe é arquiteta, entrei muito nesse meio - acho que foi o que fez surgir mais tarde a paixão pela moda. Me formei em moda na Faculdade Anhembi Morumbi, em São Paulo, e depois fiz alguns cursos em Nova York. Trabalhei com produção de moda, em revista e fazendo styling antes do meu pai me chamar para abrir minha própria loja, na época chamada Garimpo. Lá eu reciclava tecidos de decoração e transformava em peças únicas. Foi nesse momento em que juntei os dois universos, moda e décor! A Garimpo tinha peças com design criados por mim, além de coleções cápsula de outros estilistas e artistas. Quando a loja fechou, fui morar em Nova York com o meu marido e lá voltei a desenhar. Durante as muitas reuniões que fiz por Skype, comecei a rabiscar por cima das capas de revista. Era o começo do Instagram, comecei a postar fotos das capas desenhadas, a galera começou a gostar e eu comecei a melhorar o trabalho. Foi super orgânico. Um blog americano postou, depois veio outro e mais outro, até que, por conta das capas, muita gente começou a me chamar para diferentes trabalhos.

2. Quais são os principais desafios que você enfrenta em seus trabalhos?

Acho que todos os projetos são desafiadores, principalmente quando começamos algo novo. Por exemplo, a Nina Ricci é uma marca de perfumes francesa para a qual
eu já fiz cerca de cinco campanhas. Acabamos de lançar uma nova com ilustrações de monstrinhos nos frascos dos perfumes e algumas animações. Eu nunca tinha desenhado monstrinhos antes, então esse foi um desafio! Estou sempre buscando formas de crescer. 

3. Eu vi que você é mãe de gêmeos! Como é pra você administrar trabalho e o tempo com os filhos?

Do lado criativo, eu realmente me inspiro muito neles, eu já não lembrava mais o que era ser criança e tudo mudou quando eles chegaram. Sempre fui uma pessoa multitask mas, depois que virei mãe, o trabalho dobrou e esses pratos todos que eu equilibrava começaram a cair. Então mudei. Não saio mais pra balada, cuido muito mais do que eu como e não bebo porque ressaca no dia seguinte é um horror com crianças. Ser mulher hoje em dia não é fácil, porque quem coordena a casa, querendo ou não, é a gente.

4. Conta mais da sua parceria com a AMARO!

Eu gosto de trabalhar em um projeto desde o começo do processo criativo, como estou fazendo agora com vocês, pois isso dá uma diferença muito grande no produto final. Eu já começo a visualizar o resultado enquanto a execução do projeto acontece. Por isso, estar aqui hoje no estúdio acompanhando a sessão de fotos da Verena é super importante. Eu evito muito fazer ilustrações apenas em imagens que já existem,  pois prefiro sempre participar desde o início.


 
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VERENA SMIT

1. Adoramos o mix de humor e reflexão que o seu trabalho tem. como começou?

Eu sempre gostei de escrever. Na faculdade de cinema, gostava de escrever os roteiros e conto. Quando fui estudar fora, comprei uma máquina de escrever,
comecei a brincar um pouco e percebi como algumas palavras que são escritas de forma similares têm contextos diferentes e, apesar de parecidas, significados bem opostos. Desde o começo, usava o Instagram para mostrar um pouco das coisas que eu criava, como em forma de um diário mesmo. E o amor pra mim sempre foi
um tema recorrente. Quando percebi que as pessoas se sentiam de alguma forma conectadas com aquilo as coisas decolaram... 

2. Você já fez colaboração com algumas marcas de moda incríveis. Qual a sua relação com o mundo fashion?

Moda sempre esteve entre as minhas paixões. Sempre gostei de olhar revistas, amava os editoriais feitos por fotógrafos de moda e me interessava muito por esse universo.
É muito legal poder mostrar como o escrever e o fotografar estão relacionados. 

 
 
 
 

3. Consegue destacar alguns dos seus projetos mais comentados?

Os dois trabalhos que eu fiz para a Gucci mexeram bastante comigo - não só pelo peso da marca, mas também pelo fato do próprio estilista ter visto o meu trabalho e
ter me escolhido. Essa é outra característica da moda que eu amo: a possibilidade de ir além da roupa. Você pode construir um outro universo. Tive uma responsabilidade tremenda não só pelo alcance deles, mas também por ser um job em outra língua. Uma coisa é você receber um briefing em português, outra é você falar com alguém
na Itália. Ao mesmo tempo é muito legal ver que a internet e as redes sociais tornam tudo isso possível.

4. você morou um tempo em Nova York. Como a experiência lá influenciou o seu trabalho?

Existe uma Verena antes e uma Verena depois de Nova York. Aqui eu trabalhava como fotógrafa e, quando fui para os EUA, adquiri um background mais amplo. Trabalhei em uma galeria de arte e ia muito à exposições. A própria escola na qual estudei, a ICP (International Center of Photography), reforçava: você é um artista, não apenas um fotógrafo. Quando retornei ao Brasil, estava completamente perdida. Não tinha a certeza do que eu queria fazer, mas tinha a certeza do que eu não queria, que era continuar como antes. Voltar foi uma decisão difícil, mas fez sentido na época para mim. As melhores pessoas do mundo vão para Nova York estudar, então as oportunidade de trabalho eram muito informais por conta da concorrência do mercado  - às vezes fazia assistência para um fotógrafo e não recebia nada por isso. 

5. Essa é a sua segunda colaboração com a AMARO. Como esse projeto é diferente do anterior?

É legal poder fotografar ao invés de fazer novamente intervenções, como fiz no trabalho passado. A AMARO é uma marca que está revolucionando não só a moda, mas também a forma como ela é consumida. Os principais players brasileiros tinham receio de vender pela internet e vocês mudaram isso. Vejo que existe um trabalho muito forte por trás e fotografar aqui [o estúdio fica dentro do HQ da AMARO, na Zona Oeste de SP] e passar pela fábrica é uma experiência muito legal. Também estou muito feliz de trabalhar com a Ana de novo. Nosso trabalho é muito diferente, mas ao mesmo tempo eu tenho um mínimo que conversa com o máximo dela, o que gera um ótimo resultado.