AMARO e coletivo Não é Não se unem para criar nova tatuagem para o Carnaval 2019

 

Já soube da novidade?

A AMARO e o coletivo Não é Não se uniram para criar uma nova tattoo para os dias de folia. Minha roupa não é um convite é o nosso grito de guerra contra o assédio, uma oportunidade para colocar o empoderamento feminino em pauta neste Carnaval. Confira o nosso bate-papo com a Aisha Jacob, uma das sócias do coletivo:

 
 
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1- Como surgiu o projeto Não é Não?

Em janeiro de 2017, um grupo de amigas começou a mobilização depois de uma das integrantes do coletivo sofrer um assédio em um samba durante o pré-carnaval. Esse grupo se uniu e transformou a indignação diante aos assédios que já haviam sofrido (tantos né?!) em força para agir.

Em 48 horas, conseguimos arrecadar R$ 2.784,00 para produzir e distribuir tatuagens temporárias com os dizeres “Não é Não”! No carnaval de 2017, distribuímos 4 mil tatuagens gratuitamente pelas ruas do Rio de Janeiro. A adesão foi enorme, muitas mulheres perguntavam nas redes sociais onde poderiam comprar as tatuagens, como poderiam ajudar o movimento a crescer e quando o carnaval acabou veio a ideia: e se, para 2018, a gente fizesse uma campanha de financiamento coletivo, onde qualquer mulher pudesse colaborar, garantindo suas tatuagens e ainda financiando a distribuição gratuita de mais tatuagens para mais mulheres? 

Foi assim que criamos um financiamento coletivo na Benfeitoria para o carnaval de 2018. Produzimos 26.000 tatuagens, distribuímos em 6 cidades diferentes (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife/Olinda) em parceria com blocos, coletivos e marcas. 

Depois do lindo carnaval de 2018, entendemos que a única possibilidade do Não é Não continuar crescendo era dando a mão para mais mulheres, formando uma rede ainda mais forte e mais diversa. Com a ajuda das novas embaixadoras, criamos um canal na Benfeitoria onde cada uma ficou a frente da produção correspondente a sua cidade. Para o Carnaval de 2019 estaremos em mais de 8 estados (Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará, Goiás, Brasília, Bahia, Paraná).

 
 
Confiar no nosso “não” significa legitimar nossas vontades e direito de escolha.
 
 
 
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2- Que dicas vocês dariam para quem quer contribuir com a causa?

Nosso movimento é uma ação de mulher para mulher. Nós somos as protagonistas, e por isso entregamos tatuagens somente para mulheres. Assim, consolidamos nossa rede de identificação e apoio. Mas a nossa luta é todos os dias, não sofremos assédio somente durante o Carnaval, não é mesmo? Ações diárias são muito importantes para conseguirmos mudar esse comportamento tão machista e opressor. Todos nós devemos trabalhar juntos, mulheres e homens! Essas dicas vão para os homens desavisados: O assédio aparece de várias formas, seja físico, moral ou verbal. "Fiu fiu" não é cantada, não é flerte; é invasivo e constrangedor. Quando uma mulher se sente constrangida significa que algum limite foi quebrado.

Aprenda a escutar as mulheres, o que elas têm a dizer e o que elas querem porque depois de um "não" tudo é assédio. Acreditamos que é muito importante confiar no nosso não. Vivemos numa sociedade majoritariamente machista que tenta nos calar e nos oprimir. Confiar no nosso "não" significa legitimar nossas vontades e direito de escolha. E manas, chega de competição entre mulheres, não é mesmo? Nós não somos adversárias, estamos no mesmo barco, lutando pelo direito do nosso corpo, pelo direito de permanecermos vivas.  


3- Qual o significado de empoderamento para vocês?

Acreditamos e lutamos pelo nosso direito de ir e vir como bem entendemos. Acreditamos que todos os espaços pertencem também às mulheres e queremos poder ser quem nós somos em todos eles. Empoderamento para nós é potência, luta. É a luta pela autonomia dos nossos corpos, da nossa sexualidade, da nossa liberdade. É a força que nos impulsiona a seguir militando contra o sistema patriarcal e arcaico que vivemos.

 

 
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4- Para vocês, qual o papel da moda nesse movimento em busca de maior liberdade de expressão e respeito às mulheres?

 Acreditamos que a moda precisa ser mais democrática, que contemple todas as mulheres, todos os tipos de corpos, formas, tamanhos, cor e que não imprima somente um padrão de beleza. A moda deve ser nossa aliada. Somos múltiplas e somos únicas! Trazer essa diversidade é essencial para que todas as mulheres se sintam representadas e pertencentes a esse movimento. Cada mulher imprime sua personalidade na forma de se vestir e isso não é um convite para ninguém. Nossa roupa, nosso corpo, não é um convite

 

Tattoo e look de Carnaval em mãos? Não esquece de marcar @amaro e colocar #carnAMARO e #MinhaRoupaNãoÉUmConvite nas suas fotos!

Olha só quem já está desfilando a tattoo por aí: